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segunda-feira, 1 de março de 2010

BBP - Parte 4


Ele ficou meio confuso com as palavras dela, mas resolveu deixar pra lá. Afinal, ela era apenas mais uma estranha que estava em sua casa, sei lá porquê, compondo uma música sem sentido com ele. Olhou pro relógio – 3 da manhã.
- Hey, Natahalie... gosta de café?
- Demais
- Vou preparar pra gente. Acho que, pelo jeito, não dormiremos mais essa noite. A gente toma um pouco, conversa, e depois dá continuidade a música. Pode ser?
- Claro – Disse a moça acompanhando-o até a cozinha.
Ele preparou o café rapidamente. Então, sentaram-se na mesa e tomaram-no em silêncio.
- Erik...
Nathalie quebrou o silêncio colocando a xícara na mesa de madeira.
- Sim?
- Me fala mais sobre você. Eu saí de um bar lotado, diretamente pro seu ap, compus uma música em 3 segundos e agora estou tomando café com você as 3 da manhã. E eu ao menos sei sua idade, qual seus planos, seus sonhos...
- Ok, vamos lá. Meu nome é Erik, eu tenho 19 anos. A maioria dos meus planos inclui minha banda, do tipo tocar pelo mundo. Loucura, eu sei. Mas eu também tenho meu lado sóbrio, sempre sonhei em casar, ter filhos... Quanto aos meus sonhos... eu não tenho sonhos.
- Não tem sonhos?
- Não.
- Sabe a garota que estava comigo no bar? Bem, o nome dela é Marie e ela sempre me disse que eu sonho tanto, tanto. E com tantas coisas e tantas vezes, que eu acabo roubando os sonhos dos outros. Assim, não sobre nada pra ninguém. Tudo meu! Haha
- Acho que você roubou meus sonhos também, ladrãozinha.
- Provavelmente...
- Aliás, quais são todos esses sonhos?
- Na hora certa você saberá. Se é que continuaremos a nos falar depois de hoje.
- Por que não nos falaríamos?
- Sei lá... Eu sou acostumada a ver garotos como você sempre com várias pessoas diferentes. Um dia é tudo, no outro nada. Não sei se você me entende, mas talvez eu seja só ‘mais uma’ pra você. Mesmo o nosso envolvimento sendo única e exclusivamente musical.
- Oh, peraí mocinha!
Ele se levantou, empurrando a cadeira e fazendo um gesto com a mão de ‘pare’.
- Eu não sou esse tipo de cara. Eu sei, a imagem que eu passo não é essa. Mas dentre meus planos, já te disse, está casar. Eu jamais faria isso. Ainda mais com você...
Erik deu a volta na mesa, se aproximou da garota e se abaixou em sua frente.
- Mas... se você ainda duvida, eu posso te provar o contrário.
E seus dedos passaram levemente sobre o queixo de Nathalie, foram caminhando pela lateral de seu rosto. Os lábios do rapaz se aproximando, até tocarem os macios e pintados de vermelho da garota.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

BBP - Parte 3


O apartamento de Erik não era tão longe dali, tinha as paredes cobertas por pôsteres e algumas roupas jogadas no chão.
- Aqui, eu tenho um canto especial do apartamento onde eu gosto de compor.
Puxou-a pela mão e levou-a para um quarto nos fundos. Era um pouco vazio, tinha uma mesa, um sofá e várias almofadas espalhadas pelo chão. Um violão, muitas revistas de música, algumas letras impressas jogadas, um toca discos e em uma prateleira, o seu tesouro: sua coleção de discos.
A garota entrou pela porta, colocou sua bolsa na mesa e se sentou no sofá, enquanto ele revirava os papeis que estavam jogados no chão. Nathalie ficou olhando pra prateleira, quase que hipnotizada.
- Ahh eu não te contei, né? Eu coleciono discos. Alguns antigos, outros raridades e uns novos.
- Legal.
Ela não pareceu tão interessada, mas mesmo assim se aproximou da prateleira e observou-os minuciosamente, passou os dedos por todos e voltou a se sentar.
- Então, sobre o que você costuma escrever?
- Sobre toda forma de amor. Amor platônico, não correspondido, complexo. Amor entre irmãos, primos, amigos. Eu escrevo sobre todas as formas de amar!
- E por que toda essa admiração por tal sentimento?
- Talvez porque ele ainda é um mistério para mim. Nunca tive a oportunidade de desvenda-lo.
Ela disse essas palavras e suas bochechas se coraram.
- E você? Compõe musicas e as imagina servindo de melodia para que?
- Eu nunca imaginei minhas melodias em algum caso especifico. Mas, agora que você disse, elas me parecem ótimas em qualquer história de amor.
- Que bom que eu ‘te ajudei’ a encontrar um lugar pras suas melodias.
E o silêncio pairava no ar. Mas de alguma forma, aquele silencio queria dizer algo. Ele começou a dar alguns acordes no violão e ela a cantar uma canção linda, daquelas em que você ouve e dá vontade de se apaixonar muitas e muitas vezes, nem que seja pela mesma pessoa. A verdade é que a melodia parecia ter sido especialmente para aquela letra. Ao final, Erik ficou assustado. Não era possível.
- Não me diga que você já tinha isso escrito ?
- Não, não haha. Eu acabei de cria-la.
A canção falava sobre destinos cruzados, opostos que se atraem e as diversas formas de amar.
- Mas, eu achei que você não acreditasse nessa parada de destino
- Eu também achei. A verdade é que chega um dia em que tudo que você acredita já não faz sentido. Como hoje. Como... agora.
Ê! Demorei mas postei.
Eu tinha toda a história na cabeça, mas não sabia como transcrever. Agora sei até demais, não paro um minuto hahaha.
Aproveitando, eu tô escrevendo a mesma história em uma comunidade de web novelas e mais pra frente vou fazer uma comunidade só minha pra postar a BBP. Depois disponibilizo os links. Beijos !

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

BBP - Parte 2



A vida dela era resumida. Aos sábados a noite, gostava de assistir filmes em companhia de boas xícaras de café e seu velho sofá. Mas aquele foi diferente. Trocou sua camisola gigante por um vestido florido e seu sofá pela mesa de um barzinho não tão agitado, em companhia de uma velha amiga. Sentaram-se em uma parte mais obscura, talvez não quisessem chamar tanta atenção quanto as dúzias de mulheres vulgares que dançavam freneticamente a cada acorde da música. Uma banda tocava, alguns pareciam não aguenta-la mais e outros vibravam como nunca. A tal banda tocava alguns covers de clássicos do rock, embora os espectadores pedissem calorosamente por uma música que levava o nome do bar: Naive. E foi a última que tocaram.
- Acho que já podemos ir, não?
Disse a amiga, não muito interessada em levar continuidade ao programa daquele sábado a noite. A moça sem ter outra escolha, aceitou o convite de saírem de lá e foi até o balcão pagar o que consumiram.
De longe, ele já a observava. Caminhou até o balcão e iniciou um assunto qualquer com a garota
- Você é a primeira ruiva que eu vejo entrar nesse bar.
A garota, que não havia percebido a presença dele, olhou um pouco assustada
- Jura?
- hahah, Não. Muitas já passaram por aqui, mas você foi a única que conseguiu brilhar mais do que o globo de espelhos do teto.
Ela ficou vermelha, talvez mais do que os longos fios de seu cabelo e o rapaz percebendo isso, tentou consertar
- Desculpe a indecência hahah, meu nome é Erik.
Estendeu a mão.
- Sou Nathalie, mas já tenho que ir, tchau.
Virou-se e foi andando dentre as mesas, em direção a porta.
Ele, não satisfeito, foi atrás da garota que já saía pela rua e puxou-a pelo braço
- Espera, fica mais. Eu pago alguma bebida pra você e a gente conversa mais. Gostei do tom da sua voz entrando pelos meus ouvidos.
Ela riu. Aquela amiga mandou-lhe um olhar encorajador, e ela finalmente aceitou o convite. Entraram novamente no bar e sentaram na mesma mesa obscura que antes ela dividira com uma mulher dois anos mais velha.
- Então... o que você vai beber?
- Eu não bebo muito, aceito o que você quiser me pagar.
Chamou o garçom, e os dois compartilharam do vício número 1 do rapaz.
Conversaram sobre tantas coisas, dentre elas a garota disse que o fato de estar ali naquele dia não era algo comum
- É, talvez você estivesse aqui porque tinha de estar. Porque tínhamos de nos conhecer, de ter essa conversa. Já pensou que pode ser armadilha do destino?
- Eu não costumo acreditar em destino. Não nas atuais circunstancias, mas se você diz isso, quem sou eu para retrucar?
- Você é você! Tem todo o diferencial. Realmente, não é o tipo de garota que freqüenta esse lugar.
E começaram a falar sobre os gostos dela, que de parecido com o dele, só as músicas e o fato de compor.
- Então você compõe musicas?
- Na verdade, eu escrevo poesias, poemas, contos... E dentre tudo que eu escrevo, alguns viram música. Mas sem melodia, não sou criativa a esse ponto.
- A gente podia tentar compor algo juntos. Topa?
- hahaha, mas acabamos de nos conhecer
- Justamente por isso. Acredito que as coisas fluam melhor assim, cada um apenas acreditando em seu potencial, sem saber o que vai rolar. Enfim, se quiser eu estou disposto. Não moro muito longe daqui, podemos tentar
- Olha, normalmente eu acharia isso totalmente doido e fora de cogitação. Mas, bem, nada está sendo normal hoje. Eu topo!
Ps.: Créditos ao Hiuri e ao Gui que me ajudaram a escolher os nomes ♥

domingo, 3 de janeiro de 2010

BBP - parte 1.

Sobre ela.
Ela era o tipo certo de pessoa errada. Clichê – porém verdade.
Tinha os cabelos cor de cobre, por vezes despenteados, por outras impecáveis. Ondulados ou chapados, eles iam no embalo do vento enquanto a moça caminhava pela rua de paralelepípedos. Gostava de fotografar, compor, encenar, escrever. Tinha as unhas constantemente pintadas de laranja e os lábios de vermelho. Um olhar misterioso que dizia muito sem dizer nada. Era viciada em filmes e em café, talvez por isso tivesse insônia em 9 dentre 10 noites. Não tinha grandes sonhos e depois de muitos esporros da vida, desistiu do amor. Até encontra-lo...


Sobre ele.

Ele era a personificação do Rock em ser humano.
Viciado em música, cerveja e cigarros, juntou todos os seus vícios e montou sua banda meia boca, que tocava só por diversão todo sábado em um barzinho. Colecionava camisetas e vinis antigos de algumas bandas, tinha o cabelo à lá Strokes e um all star vermelho velho e surrado que ele amava. Fora apaixonado somente uma vez na vida, por uma mulher vulgar demais para seus planos de um garoto que, no fundo, era romântico. Enquanto esperava seu coração ser arrebatado novamente, passava cada noite com uma das mulheres erradas. Até o dia em que encontrou a certa.


Ps.: É, comecei a história que eu havia dito.
Espero que gostem! BBP=Beijos, Blues e Poesia.