
Já era a tardezinha, o sol estava se pondo no horizonte enquanto eu e mais muitos adolescentes estranhos se embebedavam uns as custas dos outros.
- Vem cá.
- Eu?
- Claro.
Era estranho. Ele não tinha motivos para me chamar. Ok, tinha. Mas não assim... Eu era só uma diversão e sabia disso. Mas fui.
- Ei, por que você saiu andando, me chamou aqui pra quê?
- Você vai ver.
E andei atrás dele. Ele ia na frente, já me era costumeiro e dava uma visão melhor, sei lá. De repente ele parou. Parou e ficou ali, me olhando na calçada como se eu lhe devesse alguma palavra, algum gesto. Seus lábios formavam um biquinho, acho que já era automático isso: sempre que o via era assim. Mas eu achava bonitinho. Assim como quase tudo nele me dava uma alegria instantânea, uma vontade de sorrir.
E assim, instantaneamente como a alegria que ele me dava, eu senti seus lábios tocarem os meus devagar. E depois sussurrarem algo como ''ninguém pode saber''. Não sei, se ao menos estivesse entendido... Mas eu estava mais hipnotizada com tudo aquilo que acontecera, acho que esperei muito tempo sem saber. E aqueles lábios pequenos voltaram a beijar os meus, como por magnetismo.



