Mostrando postagens com marcador O que sobrou da nossa canção.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O que sobrou da nossa canção.. Mostrar todas as postagens

sábado, 24 de outubro de 2009


Eu desci pelo elevador lembrando que aquelas paredes já viram e ouviram muitas coisas sobre nós: brigas, declarações, beijos ardentes e pervertidos. Ao sair do ap e olhar para aquela rua, foi como se revivesse a noite em que chovia forte e nós nos beijamos entre os pingos de chuva, depois de uma briga que durou exatas 23 horas. Nós nunca conseguíamos passar muito tempo um sem o outro... A angústia ainda tomava conta do meu peito, eu havia me arrependido e isso era fato, mas era orgulhosa demais para voltar atrás. Em um momento, meus passos largos deram lugar a algo mais rápido, algo como uma corrida em direção a lugar algum. Foi quando eu avistei aquele parque em que passávamos os finais de tarde.
O cansaço começava a se manifestar no momento em que me joguei na grama fofa e fiquei deitada observando as nuvens: era um dos nossos programas favoritos, apesar de simples. Revirei de um lado ao outro, até quando resolvi lhe escrever essa carta.
Sabe, nesses dois dias que se sucederam á nossa separação, eu passei todos os segundos tentando reacender aquela chama que eu senti apagada. Mas de nada adiantou, eu continuo fiél em minha decisão de te tirar para sempre da minha vida.
Passe em casa qualquer dia desses, aquela sua camisa, apesar de molhada com minhas lágrimas, continua lá.
Ps: último texto dos 'O que sobrou da nossa canção'. Não gostei, hihi.

terça-feira, 20 de outubro de 2009


Como já era de se esperar, anoiteceu e eu não preguei os olhos nem um segundo. O sentimento de culpa e de arrependimento tomou conta de mim de uma forma, que a minha maior vontade era sair correndo por aquela porta e dizer que tudo que eu disse foram apenas palavras cuspidas e que eu quero você de volta. Junto com seu abraço, seu beijo, seu amor.
Mas não. Eu sabia que eu era orgulhosa demais para isso. Fiz e falei coisas sem pensar e agora só me resta suas lembranças e aquela tua camisa com seu cheiro e nossas marcas.
Voltei a andar, agora pela casa. Sua escova de dentes ainda estava no armarinho do meu banheiro, junto com aquele teu perfume que eu simplesmente amo. Passando pela sala, hesitei em pegar o telefone e te ligar só pra ouvir a sua doce voz - seria covardia demais e no mesmo instante você saberia quem seria a única mulher com distúrbios que, após te mandar para fora lhe dizendo que seu amor já não bastava para mim, te ligaria de madrugada e ao invés de um Oi, diria Adeus.
Vesti aquela minha velha calça que você gostava e o all star azul surrado. Sai por aí, sem rumo.
Talvez em direção a você, talvez na direção oposta.

sábado, 17 de outubro de 2009


Naquele dia, passei o resto da tarde deitada. Eu e meus devaneios, mais ninguém. Quando finalmente me dei por satisfeita e resolvi andar pelo quarto a procura de qualquer vestígio que ainda restasse de você, já era noite. Abri as portas do armário, as gavetas, os pequenos compartimentos da cômoda. Em todos os lugares eu sentia teu cheiro. No fundo daquela gaveta onde você costumava guardar os teus CDs eu a encontrei, aquela sua camisa branca que ainda continha marcas. As do meu batom coral e as da nossa primeira noite juntos. Vesti a camisa - já havia me esquecido que estava despida - e voltei à cama. O teu cheiro, que permaneceu intacto na camisa, estava tomando conta do quarto e de minha pessoa também. Sendo assim, foi impossível as lembranças daquela noite não retornarem com uma velocidade incrível à minha mente. Fechei os olhos, e foi como se eu pudesse sentir novamente o seu toque, a ponta de seus dedos passando suavemente por cada milímetro do meu corpo. Sua respiração afobada, minhas unhas cravadas em sua pele. Os arranhões, as súplicas e carícias. Era como se eu sentisse tudo outra vez, inclusive o fogo que me consumia aos poucos. Apesar de tentar negar, uma ponta de arrependimento passou por mim ao saber que eu havia provocado o fim da nossa história.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009


Eu comecei me despindo aos poucos. Primeiro as roupas, depois as lembranças que ainda restavam de ti. Me joguei entre os lençóis e lá fiquei, apenas sentindo o gosto amargo do fim - fim no qual eu havia colocado um ponto final. Sempre foi fácil demais para você aceitar as coisas, assim como quando nos apaixonamos. Era algo totalmente fora de cogitação no momento, mas você agiu como se fosse totalmente natural e continuou sorrindo aquele teu sorriso meio torto, meio de lado. Fazia frio la fora, mas ali onde eu estava o calor tomava conta. Talvez fosse o calor de seu corpo que ainda permanecia intacto em mim. Calor no qual eu queria que fosse embora o mais rápido possível, quem sabe assim eu voltaria a te querer para me aquecer todas as noites... Estiquei as pernas e esbarrei no rádio, que começou a tocar. A música era a trilha sonora do nosso amor, Seaside. As lembranças foram inevitáveis: os fins de tarde nos quais nos abrigávamos em baixo daquela velha árvore e olhávamos o sol se pôr abraçados; as noites de frio no qual o teu corpo me proporcionava calor e prazer de uma forma inexplicável. Dizer que não preciso de ti, é como dizer que só por hoje não vou respirar. É algo impossível de se proferir mas, eu não me sinto mais como antes. Não sinto mais as borboletas em meu estômago festejando a cada toque seu, não me sinto mais completa ao acordar pela manhã e saber que você está ao meu lado me dando todo carinho no qual eu preciso. A chama se apagou.